Um lugar de palavras no meio do nada

Segunda-feira, Outubro 30, 2006


[10:13 PM]


Desejo


Quero não ter, não como quem perde, mas como quem se liberta...




Comments: (alternativo)


10:13 PM - post nºPostado por Insensato

Segunda-feira, Outubro 23, 2006


[11:59 AM]

Eu, como as cigarras


Já teci sombras com minhas esperanças e conjuguei perdições com minha alma. Não sei de ontem, mais do que vivi, por isto me dou por justo. Tomei por meu, o que me cabe. O que me foi dado, em excesso, foi sorte ou destino. Não escolhi palavras para os acenos do tempo ou do reter. Já não espero que os sinos dobrem por mim, mas também não ergo templos ou catedrais. Passo. Tenho iguais medidas. Li, bebi vinho, curei, viajei, escrevi, amei e todas as suas circunstâncias. Morri todas as minhas sete vidas, mas pelo milagre da espera, permaneço. Sonhei e fiz. Passarei. Os sonhos não.
Aprendi algumas coisas de jardim e das flores. Assim como respiro o aroma de promessas do cabelo molhado e a leveza do sabonete no corpo, lavado como água santa, para criar, com seu homem, a perda de novas inocências. E sei que toda mulher precisa ser tratada como nuvem, de céu, só agora, inventado. Pois é feita de lendas e outra porcelanas, aguda como fio das cimitarras. E, sei que, só ao lado delas, faz sol. E inventam de viver de cantar: eu e as cigarras...

max_ernest-sexo com amor




Comments: (alternativo)


11:59 AM - post nºPostado por Insensato

Sábado, Outubro 21, 2006


[6:17 PM]

Ocaso

Sempre cobrou-se excessivamente.Vivia dentro das regras. Marido, filhos, trabalho, casa. Sem erros. Inacessível. A vida inteira regida por princípios que considera inabaláveis. Tinha certezas. Não admitia enganos. Um velho amigo, com quem sempre dançava, reclamou que, na mesa em que estavam, quase não havia dançado com ele. Brincou: vou dançar de rodadinha pra lhe fazer ciúmes. A serpente mordeu a maçã. Sem volta. Percebeu o veneno. Sempre o achou um gato. Não havia recuos possíveis. Entregou-se, apaixonada, um fim de semana inteiro. Disse a ele banhada em vinho e desejos: " não sei o que esta acontecendo comigo. Quanto mais sinto...". Ficou lá, no beijo dele. A outra , manteve a vida envenenada....




Comments: (alternativo)


6:17 PM - post nºPostado por Insensato

Quinta-feira, Outubro 12, 2006


[8:53 PM]

Férias

Viver, salvo engano, é muito duro. Acumulamos erros, fotografias distorcidas de nós mesmos, que escondemos na memória. Trazemos, por vezes, saldo de duras batalhas, a qual não podemos ceder, mesmo quando elas retornam diariamente. Viver é nunca desistir de nós mesmos, mesmo que não saibamos aonde ir.
Viver é vasto quando devia ser simples. Mas é preciso tanto... È preciso sempre saber escolher, não magoar o alheio, não magoar a nós próprios, não cair em tentação, saber dizer não diante do sim inevitável. È preciso ajudar os outros, defender o verde e saber fazer macarrão com molho digno de uma mamma italiana.
È preciso ser sensível, entender a alma feminina, identificar seus desejos mais ocultos, tudo isto em meio aos negócios mais urgentes e as melhores aplicações financeiras. È preciso ter sucesso, sem se tornar vaidoso ou pedante, e não envelhecer, apesar da idade, pelo menos o espírito. Se possível, não fraquejar nunca, que o mundo só gosta de vencedores. Aos perdedores, atualmente, nem as batatas.
É preciso correr contra o relógio, correr contra o desencanto, correr contras as contas da vida mortal. E tudo isso sem perder a poesia e o humor em alta...., qe nada mais chato que o triste permanente. Eu sei, eu sei, mas tem dias em que a gente só quer algumas flores sem que precisemos nenhum esforço...






Comments: (alternativo)


8:53 PM - post nºPostado por Insensato

Sábado, Outubro 07, 2006


[5:34 PM]

Me basta...

Não sei mais que teu nome. Mas me basta. Não sei os redemoinhos que te sopram, nem teus segredos, os caminhos desfeitos. Nem sei onde dormes, nem que nomes tua boca já chamou. Não conheço tuas rendições, mas confio no invisível fio das amarras quando diz: prometo. Banho-me no leite de teus olhos milenares como quem se lava de esperanças e sabe que o amanhã, ali, é apenas uma outra ilusão. Não sei onde será, mas saber de tua vinda, me basta.
Não sei de tuas fomes, nem como se deixas morrer nos braços de um homem, mas sei que te tomarei nos meus, um dia, como quem sacia todas as fomes ancestrais e embala o sono no balanço doce do vento e isto me basta. Não sei tua duração, mas sei que os séculos de tua permanência serão feito incenso, linho, navegação de caravela em mar aberto, oração, sânscrito divino e isto me basta.
Não sei como te vestes mas sei que a roupa que usas pra mim é tua nudez, de milagre do belo, de orações, de fêmea úmida, como um véu, um manto, na qual me escondes e isto me basta.
Não te toco, nem sei onde gostas que a mão te dome, mas sei que te abrirás, não como se desses a um homem, mas como se fosse o mover de tuas coxas e a salivação de teu corpo, a passagem do Mediterrâneo, e o definitivo e único morrer de nosso destino...e me basta!





Comments: (alternativo)


5:34 PM - post nºPostado por Insensato