Não gosto de ter o blog e não escrever. Sinto-me cúmplice de quem vem aqui em busca de algo. E me sinto responsavel por quem vem e volta sem nada pra reter na memória. Me incomoda o silêncio da escrita.. Não sei se perdi o veio, se fiz minha última concessão, se o blog ficou preso em algum fio ou se, por respeito, mesmo que imerecido, eu não queira violar o que ele foi. Certos respeitos, devemos cultivar. A vida tá andando com suas surpresas e compensações. E diria, além do esperado.
Bem, não importa. Tenho meus ritos e talvez seja apenas respeito a mim mesmo. Por isso ando pensando seriamente em encerrar o blog. Talvez peça o endereço de vocês e mande os textos por e-mail. Talvez faça outro. Este ficará no ar como testemunho dele próprio e da minha limitação de humano de me fazer. Não sei. Mas não gosto do silêncio. Não escrever é meu morrer diário. Vou pensar. Mas é muito provável que o encerre...
Tem acontecido surpresas grandiosas, nestes tempos, mas sem literatura. Assim, nada há, a escrever. Desejo bom São João a todos. E até a volta, ou em qquer edição extraordinaria...
Amanhã, ou depois de amanhã, ou quem sabe no próximo inverno, que sou de tempos chuvosos, tudo volte ao normal. Mas hoje não. Talvez dance uma música nova, talvez beba outro vinho, talvez faça novos amigos e ame outros amores. Talvez eu me esqueça, me tire de cena, talvez volte pra casa mais cedo, aquela onde meus filhos me abraçam antes de partirem para seus próprios mundos, talvez volte do mundo para almoçar com meus pais. Talvez faça a coisa certa, talvez não faça e apenas pegue a correspondência na portaria, antes de deitar. Talvez não leia mais noticias, nem ouça falar de quem partiu ou morreu, talvez não deixe mais as velas ao vento e deixe que o tempo apague em mim, todas as lembranças, todas as dores diárias da memória e não sinta escorrer o veneno na alma. Talvez aprenda assobiar e me despeça das palavras, minha armadilha de vida e morte, talvez nem aprenda mais novos truques, talvez apenas me deixe ficar à lua e ao sol. Talvez eu me farte das delícias do que tive e vivi. Talvez peça um jantar, um enfeite simples de flores na varanda e espere . Apenas espere. Amanhã, mas hoje não. Hoje há apenas este inferno, este soluço sem razões, esta pilha de coisas pra serem respondidas, decisões a serem tomadas. E, eu não estou. Morri. Mas, talvez, amanhã, depois de amanhã, ou quem sabe no próximo inverno, tudo volte ao normal...
Quando amar é sofrer
Entenda por que o amor pode perder o caráter generoso para atuar a serviço do narcisismo e da baixa auto-estima de quem ama; médicos explicam o que é normal e o que patológico nesse sentimento
Por Pamela Cristina Leme
Até onde o amor pode chegar? Como explicar que tal sentimento é capaz de levar à destruição de si próprio e de quem se ama? O amor e o ódio caminham de mãos dadas? Essas são as perguntas quem vêm à tona quando alguém vive uma paixão obsessiva. Num misto de rejeição e insegurança, posse e castigo, carência e ciúme, vingança e desespero, a mente pode se transformar num turbilhão de sentimentos devastadores, que por vezes terminam em perseguições, suicídios, assassinatos e outras tragédias. Quando o amor deixa de ser prazeroso e passa a restringir a possibilidade de viver sem amarradas, ele abre caminho para o chamado amor patológico.
Psicoterapeuta e pesquisadora do AMORE (Ambulatório do Amor em Excesso), da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), Eglacy Sophia explica que no amor saudável é comum e esperado um comportamento recíproco de prestar atenção e cuidar do parceiro. Mas quando esse comportamento se torna excessivo e o indivíduo passa a fixar atenção no amado mais do que gostaria, abandonando outras atividades e pessoas anteriormente valorizadas, está caracterizado o amor patológico. "Quando amar significa sofrer, é um forte indício para ficar atento em relação a esse quadro", alerta.
A psicóloga Judith Vero, co-autora do livro "Falando de Amor - Uma Escuta Musical dos Vínculos Afetivos" (Editora Ágora), conta que esse sentimento avassalador pode se manifestar em diferentes níveis. "Entre casais, amigos, irmãos ou na relação de uma mãe com o filho, esse é um amor que faz mal e vem de quem não quer permitir que o amado viva sua própria vida", aponta. A pré-disposição para desenvolver o amor patológico varia de pessoa para pessoa. De acordo com Eglacy, tem gente que desenvolve esse sentimento obsessivo por uma ansiedade somada a fatores depressivos. "Nesses casos, o relacionamento destrutivo e o conturbado funcionam como atenuante do sofrimento gerado por esses sintomas", sinaliza.
No entanto, existem ainda casos em que o amor patológico ocorre como único problema, particularmente em pessoas com baixa auto-estima e profundos sentimentos de raiva, abandono e rejeição. Outro importante fator predisponente para o amor patológico é o modelo familiar. "Nesse caso, ocorre o ´casamento´ de um indivíduo que cuida do outro quase que constantemente com outro indivíduo que necessita de cuidado, ou seja, que se mostra fraco ou carente. Quando uma criança recebe esse modelo de relação dos pais, ela pode repeti-lo em sua relação amorosa, na vida adulta", ressalta a psicoterapeuta.
Como diagnosticar o amor patológico
Segundo Eglacy Sophia, é possível encontrar semelhanças entre as características desse tipo de amor e da dependência de álcool e de outras drogas. São elas:
Sintomas de abstinência (como angústia, taquicardia e suor) na ausência ou no distanciamento (mesmo afetivo) do amado;
O indivíduo se preocupa excessivamente com o outro;
Atitudes para reduzir ou controlar o comportamento de cuidar do parceiro são mal-sucedidas;
É despendido muito tempo para controlar as atividades do parceiro;
Abandono de interesses e atividades antes valorizadas;
O quadro é mantido, apesar dos problemas pessoais e familiares.
Amando demais
A médica da USP afirma que ainda não foram feitos estudos epidemiológicos sobre a manifestação do amor patológico entre homens e mulheres, mas existem indícios que esse problema parece ser mais freqüente entre elas devido a características culturais facilitadoras. "A tendência em considerar prioritária a relação a dois e a ilusão de que um homem trará significado para sua vida, são características mais relatadas por mulheres", defende a pesquisadora. Mas é importante salientar que o amor patológico não é um quadro exclusivo das mulheres. "Em consultório e em instituições públicas, costumamos atender, com excelentes resultados, a vários homens com esse problema", garante.
E qual é o papel do ciúme no que diz respeito ao amor patológico? Ele é sua principal manifestação ou um dos sinais de que o amor está errado? Segundo Eglacy, muitas pessoas confundem o ciúme patológico ou os delírios de ciúmes com a paixão obsessiva, que tem o ciúme como uma das conseqüências. "Assim como ocorre no amor patológico, no ciúme patológico existe medo da perda do outro ou do espaço afetivo ocupado na vida dele, além da auto-estima rebaixada e a sensação de insegurança", lembra a psicoterapeuta. A diferença é que, enquanto o ciúme patológico surge como uma preocupação infundada, irracional e irreal, o amor patológico ocorre em pessoas para os quais as situações triviais do dia-a-dia passam a ser provas da veracidade da traição do outro. "O potencial para atitudes violentas e egoístas também é destacado nesse quadro", destaca.
Punir o outro, aliás, é quase sempre um dos objetivos de quem tira a própria vida em nome do amor, por exemplo. Isso porque a pessoa se sente incapaz de conviver com a frustração de não ter o objeto amado, ou ainda sofrer de profunda crise de auto-estima. Quando o amor chega a tal alienação e cegueira, dá margem para a fantasia. Qualquer gesto ou palavra são interpretados como um tipo de sinal positivo que mantém esperança e certeza de que é correspondido. É neste contexto que a linha que separa o amor e o ódio pode ficar tênue. "O processo de constatação que o parceiro realmente é distante e incapaz de propiciar a atenção e o amor que o indivíduo deseja costuma ser acompanhado de sentimentos de raiva e de ódio", alerta Eglacy.
Vencendo a obsessão
A atenção e compressão externa são medidas fundamentais para ajudar quem sofre com um amor que perdeu os limites. O amado deve perceber que o outro não controla sua vida por maldade ou escolha própria. "Quando alguém liga sete vezes seguidas para o seu trabalho perguntado onde você está, por exemplo, é um indicativo de que a pessoa não tem controle sobre essa conduta e precisa de tratamento especializado", salienta a médica do AMORE. Depois, uma conversa franca sobre o problema e o que está provocando em cada um pode ajudar a aliviar a angústia vivenciada por ambos. Dr. Judith afirma que o processo pode ser completado com incentivo para a busca de tratamento com um especialista. "É possível passar por cima do amor patológico. Não há receita pronta para lidar com o amor, mas um médico pode ensinar a encarar com naturalidade essa crise sentimental", completa.
Novas perspectivas
Parte de um projeto de pós-graduação pela Faculdade de Medicina do Hospital das Clínicas da USP, batizado "Amor Patológico: Aspectos Clínicos e de Personalidade", Eglacy coordena um estudo inédito sobre o assunto. De acordo com ela, o objetivo da pesquisa é "compreender a fundo e cientificamente o problema para, a partir desses dados, propiciar ajuda a diversas pessoas que sofrem com esse distúrbio no país". Ela conta que tal dificuldade ainda não foi estudada e classificada pela psiquiatria. "Vamos abrir a primeira porta em um hospital para conhecer e tratar o amor patológico como um quadro específico e individual e não apenas como um problema de relacionamento de casal, como ocorre em outros centros", explica. De acordo com ela, para resolver efetivamente o amor patológico, é preciso focar o tratamento nos sintomas individuais e familiares que o provocam.
A psicoterapeuta aceita voluntários que queiram participar da pesquisa. São aceitos interessados de ambos os sexos, com idade a partir dos 18 anos e que estejam vivendo um relacionamento destrutivo. As triagens são agendadas pelo telefone (11) 3069-7805, somente às quartas-feiras, das 10h às 17h. Os participantes vão passar por dezesseis sessões de psicoterapia e psicodrama em grupo.
Conheça algumas medidas para dosar o amor
Assim como ocorre com o ciúme, o limiar entre o que é normal e o que é patológico no amor a dois é difícil de ser estabelecido. Não existe uma maneira certa ou errada para amar, uma vez que isso é variável de indivíduo para indivíduo e de casal para casal.
Para ajudar na avaliação da sua "dosagem" do amor com relação ao seu parceiro, procure se questionar sobre:
Você costuma sentir-se satisfeito com a quantidade de atenção e tempo que despende ao seu parceiro ou percebe que fez mais do que gostaria?
Você acha que a quantidade de atenção que dirige ao seu parceiro está sob seu controle ou é comum tentar diminuir e não conseguir?
Você mantém outros interesses e relacionamentos ou abandonou pessoas e funções em decorrência da sua vida amorosa?
Você continua se desenvolvendo pessoal e profissionalmente após o início de seu relacionamento amoroso?
Se respondeu "não" à maioria das questões, é um sinal de alerta para o amor patológico. Nesse caso, existe a necessidade de realizar uma avaliação clínica mais aprofundada com um especialista.
Fonte: Dra. Eglacy Sophia, psicoterapeuta e pesquisadora do AMORE (Ambulatório do Amor em Excesso), da USP
A vida até que tem sido merecedora de respeito no último mês e diria eu que, aos 45, ela tem sido generosa demais, mas o que o corpo faz, nem sempre tem a mesma plenitude da alma. Então tenho escrito verdades de liquidificador, objetivas e formais. Cansei do lirismo indefeso. Sei, entretanto, que sou pisciano, e nado em direções opostas. Amanhã poderei ir no caminho avesso...
Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido... Arthur da Távola
Verdade que os príncipes já não andam em cavalos brancos, são cada vez menos nobres e as mulheres tem preferido o ronco do motor ao trote do eqüino, mas nem por isso devemos deixar de acreditar que, em algum lugar, inatingível talvez, que a vida é feita mais de desencontros do que encontros, há uma mulher de vestidinho e laço de fita no cabelo a te esperar com um sorriso de infância verdadeiro e certezas de uma vida inteira.
É certo que os cientistas com seus aparelhos de positrons e dosagens de neurotransmissores andam a desmistificar a paixão, a transformá-la numa reação química de serotinina e dopamina. E lhe deram, como os produtos nos supermercados, a validade máxima de três anos, mas nem por isso vamos deixar que levem do coração para o cérebro nossa memória de amor.
Não desembarquemos da nossa Arca de Noé imaginária, em que as espécies entram aos casais e sobrevivem, juntas, muito além do dilúvio e repovoam nossas esperanças, mesmo sabendo que os advogados, já não esperam sequer que passe a chuva das mais brandas, urgente que é, hoje, partir do outro. Imprescindível que é manter-se acima da capacidade de renúncia e aceitação do querer que olha primeiro para o parceiro e valorizar o narcisismo dos nossos direitos, que nos impede a humildade de sandálias que deveria ter quem jura, aos luares, à boca faminta dos mares, ou aos suores dos corpos entrelaçados, que é sim, o amor, que lhe toma como viagem e sina.
Decerto que já nem há mistérios em uma mulher desabotoar a primeira vez seu vestido pra um homem, tantas vezes que o gesto se repete, e os homens sequer sabem que as estrelas oscilam todas, de leve, no céu, quando ela, somente ela, a mulher de tuas procuras, te chama para dentro do seu próprio destino e corpo, mas nem por isso deixemos de acreditar nas lágrimas das que choram nas entregas, nas confissões dos amantes impossíveis, nem nos amores que se prometem eternamente, porque ele deve existir, ao menos como esperança na alma, para que não nos tornemos avessos ou secos de sentir.
É fato que o amor começa e acaba, às vezes, no mesmo passo de dança, no acordar súbito do dia seguinte, mas nem por isso vamos deixar que nossas falhas de humano, imperdoáveis falhas de humano, nos impeçam de reinventar o sonhar de ontem, de aprender a pertencer. E não esqueçamos que jamais devemos perder o olhar de estréia para o outro. Nunca olhar uma segunda vez, mas sim uma segunda primeira vez, uma terceira, uma infinita primeira vez, porque, perdido o primeiro olhar, todos os outros serão para remover, dia a dia, um encanto, no delicado equilíbrio entre admirar e perder, entre devoção e indiferença. Porque sabemos que o que salva é frágil, impreciso, mas o que mata é exato. Seja a dor ou a palavra feia, que nunca erra no peito, o coração.
Sei que é difícil, que cada encontro tem vindo como um golpe nas ilusões, que não sabemos partir e somos menores de amar e pertencer. Sei que a vida inteira parece, a cada tempo, longa demais, mas vos peço, como quem já cruzou todos os mirantes no sagrado murmúrio de meu nome em um coração, como quem doeu a dor mortal do ter e ruir, como quem já deu o melhor de si e desembarcou antes do dilúvio, ah eu peço as mulheres, em quem, talvez, resida os últimos cânticos de amor, do insensato, não se desfaçam de sua rede de pescador. Agora, que é dia dos namorados, amem e refaçam o milagre de multiplicação dos peixes. E nunca deixem que, em seus olhos, de mares perdidos e segredos de corais, de vagas infinitesimais, se faça a aspereza da realidade. Pois, em algum lugar, vindo de todas as encarnações de espera, te aguarda, como um feitiço, um vento que circunda e corteja a lua, não mais teu príncipe a cavalo, que os tempos são outros, mas teu homem de amor.
E o mundo inteiro não se moveu, ontem, porque Ana Luisa estava fazendo 12 anos...Nos divertimos muito, brincamos muito e embora o aniversário fosse dela, eu fui feliz ( e faz tempo....) Já que ela recusou festa, cinema, brigadeiro, guerra de tudo que é possivel, cantoria( oh Deus como se pode aguentar tanto Rebeldes) , bolo, pizza, e paint-ball com suas 5 amigas é muito legal....