Um lugar de palavras no meio do nada

Quarta-feira, Maio 31, 2006


[11:11 AM]

Campanha Eleitoral

Minha chapa é: Pedro Simon pra presidente e Fernando Gabeira pra vice....




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Terça-feira, Maio 30, 2006


[9:42 AM]

Os piratas

Desde que o mundo é mundo e o sexo é sexo, não sei se nesta ordem, que a moçada apela para tudo na hora de resolver aquilo que chamamos de necessidades básicas ou demandas de posse no sentido bíblico da coisa. Quem já morou na roça sabe da importância da diversidade animal e do barranco no desenvolvimento sexual do homem, a utilidade que pode assumir um pé de bananeira nas tardes de solidão e inquietações existenciais.
Este papel, aliás, foi assumido, com a urbanização, pelas empregadas domésticas a quem deveríamos erguer um busto ou outra parte qualquer da anatomia como reconhecimento a toda colaboração que elas já deram ( e deram muito), pra evitar o nascimento de cabelo na mão dos adolescentes.
Esta sofreguidão amorosa-sexual tem se tornado uma imposição cada vez maior, visto que o liberalismo sexual, a camisinha, a pílula e o marketing agressivo das barriguinhas de fora e o caminho do cofrinho exposto abala qualquer convicção celibatária. Por conta desta pressão passamos a assistir verdadeiros safáris de fim semana na caça da moça em flor que nos redima do pecado do onanismo. Infelizmente, apesar da fartura que as mulheres nos tem oferecido, nem sempre se consegue bons resultados, só restando apelar para o que tiver em disponibilidade no mercado da noite. Pois foi o que aconteceu com três amigos meus, a quem vou dar o nome falso de Hugo, Cícero e João para proteger os culpados.
Fim de semana em Salvador, território livre da azaração, os três mais a perigo que presidiário em solitária, passando pela Pituba, ali na avenida Manoel Dias. Cícero dirigia devagar, o sistema de radar ligado à densidade ambiental do hormônio feminino, quando avistam um monumento do outro lado da rua. A mulher usava uma calça de couro preto sem espaço até para um suspiro profundo, os cabelos pretos soltos, o batom vermelho-fome, uma concentração de curvas de fazer inveja ao circuito de Mônaco, a fartura das coxas de enlouquecer qualquer um de desejo. Os três em êxtase visual, com cara de canibal diante da carne novinha, a saliva de quem esta´degustando uma paella valenciana, na Espanha, enquanto damas de vermelho dançam seminuas ao redor da mesa.
João, o mais desesperado, numa seca de fazer inveja a qualquer caatinga de criador de bode, os olhos injetados de testosterona, grita no fundo do carro:
olha pralí que mulé gostosa. Vai devagar, vai devagar. Porra, ali é esquema certo!
Os três ficam olhando, pasmos, avaliando as chances de se darem bem, sabendo que Cícero, useiro e veseiro nos leitos femininos, sairia na frente, além de ser o dono do carro, o que lhe conferia uma quilométrica vantagem.
-Vamos pegá, vamos pegá... disse Cícero, aproximando o carro, enquanto Hugo agradecia a Deus e alisava o instrumento numa espécie de checagem documental e pré-aquecimento, afinal era o mais velho, a resposta mais lenta.
Como os piratas diante dos antigos navios cheios de ouro, os três se prepararam para a abordagem fatal, quando Cícero, já aspirando o perfume da deusa do sexo, de tão perto que havia chegado, arrancou o carro e gritou:
- Porra, é homi, é homi, é homi...
O silêncio foi constrangedor. Não tanto pela falha do sistema operacional, provavelmente sofrendo interferências eletrohomomagnéticas do período de atraso e Playboy, mas pela noite perdida, o zero a zero vergonhoso, a necessidade de garantir a masculinidade naquele ambiente coletivo. Cícero deu duas cuspidas pela janela tentando se livrar do gosto, Hugo limpava a sujeira imaginária da mão na barra da calça e João se encolhia no banco do fundo.
Passado uns instantes, refeitos do susto, Hugo, com a sabedoria de homem experimentado nas diversidades do humano, pronunciou as palavras da salvação.
-ela podia ser homi, mas que era gostosa pra caralho, era...
Cícero começou a manobrar de volta....





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Segunda-feira, Maio 29, 2006


[8:56 AM]

De volta...

Estive em Salvador de sexta a domingo para o Encontro Bahiano de Educação Médica. Pennnnnnse num fim de semana bom!!!

A vida tem mesmo seus encantos....




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Sexta-feira, Maio 26, 2006


[8:39 AM]

Bom dia. Como estou indo pra Salvador pois tenho um Seminario de Educação Médica, não tenho tempo de escrever nada. Recebi este poema de um amigo feirense. Grande poeta. Isto é que é poeta. Repasso.

PS: O cd, hoje, tá melhor do que ontem.

Dos cantos de sagitário 105

Eu sou o menor tropeço
entre a dúvida e o cão.
Meu olhar refaz a carnadura
do anjo cínico. Águas
revoltas inundam meus enigmas
paridos de uma vaca degradada.

Vim para ferir a musa
no olho vesgo, no
amalgamado cenho confrangido.


Vim, mas não chego.

Morre sozinha.
Pariu cinqüenta filhos desalmados,
excomungou-se, exibiu-se
nua e deformada em surdas praças,
deixou-se possuir,
abortou.

E não chego.

Habito um chão de ruínas
recicláveis, resquícios de deuses
e calhordas, gestos multi-
facciosos à extensa orla
dos nãos.

Fiquei sozinho ante os gagos
agônicos que me cifraram.

Nos olhos da vaca, decifro:
equívoco é meu nome.
Que berrem os deuses. Minha ira me basta.

(Roberval Pereyr *)





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Quinta-feira, Maio 25, 2006


[5:31 AM]

Presente


Adoreiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii o CD. E a escolha das músicas. Obrigado, obrigado, pela atenção e carinho...





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Quarta-feira, Maio 24, 2006


[8:02 AM]

País

A politica devia nos isentar de paixões. Assim evitaríamos as cegueiras ideológicas, a negação do óbvio. Desde a fragmentação do conceito direita e esquerda ( ver Nobert Bobbio), do esfacelamento do socialismo como contraponto ao capitalismo( não como utopia e sim como realidade) e o rompimento da fronteira entre moral e amoral, entre tolerãncia e bovinice, assistimos, seguidamente, a destruição do país, como simbolo. E Jung não dizia que somos essencialmente simbolos? A permissividade no judiciário ( anacrônico e comprometido), a degradação total do executivo com seguidos presidentes ( Sarney, Collor, FHC, Lula) fouxos moralmente, sem estirpe, sem carater, sem dimensão de estadista, um bando de gafanhotos do varejo, aliado a um Legislativo que se supera a cada dia em corrupação, mensalões, sanguessugas, vampiros, empreiteiras que compram e vendem deputados como detergente nas prateleiras, tem disseminado na sociedade uma idéia de vale-tudo social que é de estarrecer. Não há esperanças na politica, vivida na dicotomia de tucanos que roubam sem investigar e petistas que investigam e roubam. Já não sei se a politíca está se refletindo na sociedade ou se a sociedade que somos é que fazem estes politicos. Vivemos a vergonha da honestidade.
Tenho um modesto jornal diário em minha cidade. É o jornal de maior credibilidade na região. Por isso mesmo, por não fazermos oba-oba, não temos verbas oficiais, além dos atos obrigatórios de publicação. Há quatro anos começei uma coluna semanal chamada Bodega do Leegoza. È uma coluna de notas, ironias, porradas, críticas, com humor geralmente, quando possível, ou quando o humor ( o meu) permite. Recentemente passei a fazê-la duas vezes por semana. Ela já me rendeu xingamentos, ou artigos me chamando de " altruísta hipócrita" , brigas, ameaças de um advogado que vendeu a alma na eleição e não perdoamos, alguns discursos na Câmara, vez por outra um tefefonema do prefeito ou de seus secretários, etc, etc...
Sem querer parecer bonzinho, ou melhor do que ninguém, faço-a pq acredito que a cidade sendo melhor, meus filhos terão uma vida mais plena aqui mesmo e, eu mesmo, viverei mais satisfeito. Sem falsa modéstia ou sem deslumbramento acho que tenho feito minha parte, nesta cidade, ajudando a criar a Residência Médica, UTI, lutando desesperadamente pelo Curso de Medicina, lutando pra preservar o Patrimônio Histórico e cultural nosso através do nosso Tribuna Cultural, por outras atividades sociais que já fiz e com minha coluna Empório das Letras e a Bodega do Leegoza. Também se luta com as palavras, embora, tenha dito Drummond que " lutar com palavras é a luta mais vã".
Mas o motivo que escrevo isso é porque depois desta overdose da exposição da corrupção do atual governo, do nojo politico dos nossos deputados, dos presidentes de nossos supremos tribunais fazendo politica, do cinismo do nosso presidente que, sabidamente, não une a nação, do fanatismo religioso manipualdo, de nos vermos tão calados, tão omissos eu tenho uma duas semanas ou mais que não consigo manter a coluna regularmente. É uma sensação de impotência, de inutilidade que me imobiliza. Acho que estou perdendo a vontade de lutar pelas coisas...Hoje, cansei...




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Terça-feira, Maio 23, 2006


[10:45 AM]

Rumo 1
Bem, vamos mudar o foco do blog e iníciar colocando esta citação do Antonio Maria, que relembrei lendo a crônica , de hoje, do joaquim dos santos, em O Globo.

De Antonio Maria, cronista e compositor que amo. Aliás bons tempos de cronistas aqueles. E a disputa memorável entre Maria e Paulo Mendes Campos. Certa vez ele publicou uma crônica linda chamada "O amor começa" e na outra semana o Paulo Mendes respondeu com outra chamada " O amor acaba".( essa eu tenho o livro) Ela dizia: "o amor acaba meninas, isso sim. Às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes..."

Tem essa provocante do Antonio Maria: " toda mulher, após 30 dias de felicidade, sente fome e sede de desgraça"

Rumo 2

E agora deixa eu ir que tem um necessário tratamento de choque, marcante, com imagens impagáveis pra memória, com os alunos de medicina, no São Raimundo, ainda hoje..






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Segunda-feira, Maio 22, 2006


[8:00 AM]

Bom dia gente...

Vamos viver que a vida é urgente. Como dizia Cartola o mundo é um moinho. E não para. Vamos viver as coisas impossíveis. A vida tá prometendo. E, hoje de manhã, ela já começou muitoooo bem. Não é auto-ajuda não, mas tenham um dia felizzzzzzzzz!!!!!

PS: A Mistral, maior importadora de vinhos do país, esta organizando seu encontro anual, agora no final de Maio/inicio de Junho. Três dias com os melhores vinhos do planeta. Que venha a mansidão ai de São Paulo, que se eu conseguir me livrar aqui dos plantões, já tá quase tudo certo com dois amigos pra irmos ficar esses três dias de vadiagem por aí. Povo de São Paulo, me espera, que eu tô indo viu?




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Domingo, Maio 21, 2006


[2:18 AM]

Diário de bordo...e última atualização.

Como toda história e ficção esta tem vários capitulos. Vamos registrar mais um. É fato, destes últimos dias, de quinta a sexta ou sábado, já real e acontecido na prática, que ela está com novo namorado. Um longo jogo de conquista. Desenhado há meses. Intenso há dias. Visível a todos, em cada movimento, ainda que negado. Enfim assumido. Ela já mobiliza seus encantos, certo deslumbramento e vibração, com sua nova paixão. Às vezes, dizem as terças, parece um certo "exagero", uma exibição de felicidade. Tomara que não seja apenas artificial. Há coisas, que feitas, não se desfazem. Mas deve ser assim mesmo nas tribos atuais. E investe com garra contra qualquer coisa que ameaçe este início, inclusive versões incorretas e julgamentos injustos. Foi tudo feito com total, falta de cuidado. Não era a única forma possível, embora talvez lhe parecesse. Mas foi a escolhida. É possível entender. Não se sabe as razões reais. Deve havê-las. E justas. Mas, como visto, acabou, lendo ao final, sendo sacanagem mesmo. Mas cada um começa a descer do pedestal como quer...
Nós e nossas circunstâncias? Ficamos incompletos, tantas coisas não sentidas no corpo, não ditas no ouvido e não escritas na história. Findam-se os textos. Mas, por estranho que seja, não nos findamos. Há coisas vividas entre um homem e uma mulher que se gostam e da qual não se duvida do gostar, que nunca se apagam. Ficamos escassos e, com o tempo, talvez piore. Nem memória do divino, nem cicatriz de ferida, curam sem marcas. Conheço minha detalhista natureza... Talvez não finde nunca. Talvez, é provavel, finde numa segunda ou terça qualquer. Talvez finde no verão. Talvez dê saudade nos dias de chuva. Talvez nem haja espaço. Talvez o anel saia do dedo. Talvez não. Talvez o sol mude de dona. Talvez nada aconteça. Talvez...




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Sábado, Maio 20, 2006


[6:17 PM]

Delicadezas

Tive altos e baixos. Amei, ou quase, e fui amado. Cantei. Fui cantado. Deixei. Fui deixado. Esqueci. Esqueceram-me. Fui amado. De forma louca, pra vida inteira, devota, até. Por elas mais que devia, por uma menos do que queria. Tive encontros fáceis. Outros não. Causei dor, certamente. Doí feito bicho que está no quase morrer. Fiz feio. Fiz errado. Dei coisas muito boas. Deixei de dar o que devia. Aprendi. Do modo mais difícil, mas aprendi. E como é longo e doloroso o caminho de um homem até se pertencer.
Agora sei das delicadezas do querer. Do gostar. Do amor que, de repente, da tom e luz a uma vida inteira. E sei que amar é gesto. É ato. Amar é não resistir. È um bilhete, um recado no celular. Uma lembrança de viagem. Amor é um cuidado. È, de repente, sair do trabalho, comprar um doce e levar do outro lado da cidade pra ela. Ou pra ele. È ter uma vontade inesperada de fazer amor no meio da tarde. E não perder a chance.
É não enxergar, sem que o outro veja, também, numa cegueira de amor. É voltar sempre. É não poder partir. Não se imaginar sem. È ir além dos limites, do permitido, do aceito. Amar é dar a alma a chance de ser o fundo do mar. Como se um raio partisse a terra em duas. E a gravidade de uma mantivesse para sempre a outra presa e suspensa no ar ao seu redor.
De ter sangrias nas vontades. Febres no corpo. De fazer as promessas mais certas de partida. E não cumprir nenhuma delas. Amar, às vezes, é nunca se permitir ser inteiramente feliz, imerso na incompletude eterna da ausência do outro. Amar, ás vezes, é saber que seu homem, ou sua mulher, rirá novos risos com outro e dançará as danças de acasalamento e encontro, impossível que foi o amor de vocês. E nem assim deixar de amar, o que nela, ou nele, é seu, que os amores tem os caminhos mais loucos para se manter vivo. E viver cada encontro como dádiva dos deuses. È ser terno, de ternura e derramamento. E nunca desconfiar. Que desconfiar tortura, mais do que o engano. E nunca esconder as palavras de afago, o sono de benção. Nunca permitir que o veneno se espalhe pela delicadeza do amor. E, nas coisas mais cruéis, amar ainda mais. É ser maior do que se imagina, ir além e se cultivar para o tempo do eterno, como se ele durasse só até amanhã e amanhã fosse apenas o primeiro dia do tempo que ainda virá. Porque amar, eu sei, é não se permitir morrer, nem em si, nem no outro...





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Terça-feira, Maio 16, 2006


[9:25 AM]

Gelo e chocolate...

Ela virou o corpo nu, exato, estendeu o braço sobre a cabeceira, pegou o frasco da calda de chocolate que haviam usado e o olhou fêmea, sem pudor, incendiária. Derramou sobre a boca, os lábios agora negros e pediu: coma. Ele imóvel. Ela lançou a língua feito serpente, entre os dentes, marcados e implorou: tome. Ele moveu-se como a ameaça esperada. Sentiu molhar-se ao vê-lo vir. Sabia o que ia ter. Ele beijou-a, como se nunca o tivesse feito. Ela ofereceu-se como quem dá o destino por entregue. Toda, mulher. Ela fez o chocolate escorrer, feito enxurrada, pelo pescoço. Ele seguiu.
Escondeu o seio na calda e pediu: morde. Ele descobriu o mamilo, duro, a casca da calda como a outra pele do bico. Raspou-o entre os dentes, a dor da mordida, na memória. Ela gemeu, mais próxima. A febre de dentro crescendo, devastando. As mãos dele percorrendo-a como dádiva e coberta. Ele seguiu a mão dela a lhe fazer migrante. Os pêlos embaraçados. Ela o fez subir e descer do ventre a boca. De uma a outra de suas coxas. Ele, obediente.
Ela virou de costas. Deu-lhe o frasco e disse: o tanto que quiser. Ele mordeu-lhe a nuca e respirou, sem tocar, atrás de sua orelha. Ela sentiu o espinho rasgando suas vértebras, seus nervos. A voz dele, indecente, no ouvido. Ele sabia que ela gostava, mesmo negando. E lhe disse porque a possuia. E como... E ela soube porque gostava tanto daquela dor.
Ele fez um fio no dorso. O chocolate, na pele macia, o negro maculando o trigal. As pontas dos dedos, úmidas, na pele. Botou a mão sob as coxas.Ela levantou o corpo ligeiramente e ele deixou que a calda escorresse entre suas nádegas, como quem salta no abismo. Lambeu-a voraz, sem receios de amantes, sem segredos, afastando-a , saciando o infinito. Ela convulsa, velas abertas. Ele deixou a mão sob a bacia e tocou-lhe com o dedo, entre as coxas. Úmida, delicada, de ternuras e sedes. Ele apertou-a na mão, entrou errante, entre e avante, a boca dele beijando suas costas em agrado de homem. Virou-a. Ela tomou o frasco. Afastou as pernas. Ele acompanhou o movimento. Enlouquecia ao vê-la abrir as pernas. Esperou. Ela parou sobre o ventre. Incontida. Apertou. O líquido escorreu sobre sua buceta. Ele soube que nunca ia partir...
Ela, coberta. Ele beijou a margem dos lábios, como quem corre seu império, os lábios dele feito molde dos dela. Engoliu o chocolate, em que ela se misturava, liquida e enfeite. Rodeou-a e a deixou inteira, em sua boca. A língua, feito foice, abrindo-a, até deixar o grelo, nos seus lábios. Ao redor, em toques de dono. Afastou o rosto. Ela derramou mais querendo o infinito. Ele concedeu. Ela se moveu, na sua frente como quem segue em desembesto de montanha russa. Os gostos misturados. Ela soube que não havia redenções. Nunca. Feito um amor que existe além dos mortais. E não liberta ou finda. Ocupa e invade. Por toda ela. Tocou nele. Duro. Farto. A mão ocupada. Sabia que a cada vez que a fechasse novamente, lembraria dele. Do que lhe tomava em regra de domínio. Ele viu o último filete escorrendo. Ela também. E gemeu. Ele foi até o fim do seu grito. E ela soube que morrer era bom.
Ela virou, depois, o corpo nu, exato. Tomou o frasco. E lhe entregou. Ele não pediu. Ordenou: coma. Ela obedeceu. O suor dele, preso no cacau. Os pelos dele, grudados, feito rede, no destino dela. Para sempre. As peles se colando. Chamou-a pelo nome, feito um afago de amor. E disse: quero mais. Ela ofereceu a vida inteira. Ele deixou a calda escorrer sobre si. Ela deu-lhe sua fome. E fez o caminho, de cima a baixo, alucinando-o . Ele parou. Pegou o balde de gelo. E enfiou o pau na água. O frio doeu. Ele descobriu-o. Exposto. A água doeu ainda mais. Ela entendeu. E bebeu o chocolate quente que ele havia pedido. Deixou-o aquecer a boca. Ele afastou o balde e deitou-se. Ela se aproximou. Ele sentiu o calor da boca dela aquecendo tudo, como se o centro da terra tivesse se rompido. Fervura de gozo. Ele sentiu o movimento de seus lábios. E, soube, então, Deus, era ali a porteira do céu....





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Segunda-feira, Maio 15, 2006


[8:54 PM]

Noite de Vinhos
Eu não sei se algum leitor aqui gosta de vinhos, mas pense numa noite, com mais dois amigos, um prato exclusivo do Tomatte Secco, um pato ( perfeito)e os seguintes vinhos: Dona Paula, um Bodegas del Fim do Mundo, um Linda Flor ( maravilhoso), um Barolo 94 ( inteiraço) , um Alma Viva 2002 ( o melhor vinho da America do sul) e um Vega Sicilia 99( o do casamento do chato Ronaldinho) . E depois da sobremesa um Porto Ferreira Tawny , 20 anos. E música ao vivo e até um sax. Eu nunca participei de uma noite com este padrão de vinho. Maravilhosa. Um brincadeira muitoooooooooooo salgada, que faz até vergonha contar aqui, mas inesquecível...





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Domingo, Maio 14, 2006


[11:42 AM]

A mulher que plantava bromélias

É certo que há qualquer coisa de Deus em minha mãe. Em seu jeito de plantar ternuras nos avessos e nunca ter pronunciado, apesar dos dias difíceis do viver, da labuta à luz do candeeiro, uma palavra pessimista. E de fazer parecer ser impossível derrotá-la. Há qualquer coisa de afeto e chão em minha mãe, de rir quando reclamo porque anda de pés descalços, de ter cheiro de amor, meu cheiro do amor, não por ser mãe, mas pela absoluta impossibilidade da maldade, de ter um coração maior do que o peito cabe e estar sempre em excesso de dar.
Há qualquer coisa de impossível em minha mãe, no jeito de acordar antes do sol e dar comida aos bichos, no quintal, ela que já inventou criações de tudo: saqué, coelho, galos, gatos e pássaros, em um viveiro grande, como se todos eles falassem exclusivamente sua língua e ela fosse seu Noé e eles fossem sua arca. E de me ajudar a salvar um que se bateu na parede branca da casa, imobilizando sua asa. De ser única e tanta pra dar conta da roça, nas saídas de meu pai, dos filhos, da casa e ensinar na escolinha que havia lá, ela que foi minha primeira professora e me deu letra e afeto e as extensões do sentir, desmesurado, que carrego comigo.
Há qualquer coisa de feitiçeira em minha mãe, com sua fé nos remédios e nas rezas de olhado e vento, com que nos salvou. Na sua voz me tirando do jogo de gude, fazendo descer do carro de boi, me dando capa e um chapéu baeta para que fosse estudar, na cidade, longe dela. Ou me protegendo do pai, como fazem as mães, com uma tenacidade feroz, um jeito de se jogar de abismo, de fera protegendo sua cria, no descampado do existir. Eu mãe, que ainda não aprendi os jogos do gostar, nem a me defender das ameaças cada vez maiores, sem sua mão segura e quente, sem seu leite de peito e conforto.
Há em mim, um tanto qualquer de desespero, pelas lágrimas de minha mãe. As choradas por dentro e por fora, que toda mãe e mulher carrega em si, as dores do parto e do criar. E as vertidas por mim, a senhora que faz com que eu, sendo tão pouco que sou, pareça mais que seu sonho de mim e eu lhe fosse bastante, talvez sonhando menor, para que eu me farte do que alcanço e tomo.
Há uma força misteriosa em minha mãe que a faz ir em frente, sem esmorecer, sem lhe impedir de servir ou cansar, tantas vezes que a vi lendo receitas, aplicando injeções, quando a roça não tinha ainda luz e vivíamos de lua e fifó. E depois do longo dia feito, ir bordar roupas na sua máquina de costura de pedal, como se fosse seu recreio de adulto e as linhas, suas aquarelas de impressionista. E, algumas vezes, sentei ao lado e pedalei com a minha perna como se fossem as suas e desejo, hoje, que as minhas tenham a força e persistência das tuas.
Há qualquer coisa de renúncia, de cosmo, de prece, de iludir-se de milagres, em minha mãe, sempre as voltas com sorteios de loteria e carnet do Baú. E tu nem sabes que me destes de herança e benção, esse crer em milagres e novas ilusões, que a vida mãe, já nem permite isto mais, como se ainda fossemos, nós dois, tu meu segredo e eu o teu, tabaréus do amar.
Há um encanto qualquer, uma moção de santo, na cozinha de minha mãe, que a senhora não é mais do que uma mulher de temperos. Há no seu coração e na sua comida, especiarias improváveis, sabores irrepetíveis, a medida exata do que vivo a buscar, como minha demão e senda. O carneiro incomparável que derrete no seu forno de lenha e na alma de quem come, o sarapatel de peru, a rabada de fartura e gosto, o pirão, o bolo de carimã e o requeijão que até hoje vivo em falta de raspar a panela. O licor de leite, o biscoito de nata, o doce de cenoura, banana e o de tomate, depois do qual vêm todos os outros gostos do mundo.
Mas há qualquer coisa além disso tudo, em minha mãe. Há flores nos olhos, na varanda de casa, ela que já tão atarefada, reinventava o tempo pra molhar seus caqueiros. E, de tanto discutir com meu pai que via o capim arrancado, conseguiu inventar seu jardim, realização e cria, lugar onde, filhos longe, ela pode semear sua fartura de afeição, plantar na terra da qual se alimenta, o voltar. Pois minha mãe é assim, de fazer nascer flores impossíveis mesmos nos dias inférteis, nos desertos. E eu, que estive aí, e a vi, como sempre, com a mangueira, molhando o futuro, como se a vida ainda fosse inteira por viver- e tão lindo, tão lindo, tão lindo, que desejei mostrar à mulher que amei-, vou guardar intocada, como meu ver e beleza, destino e referência, vermelho, exuberante, as rosas e as bromélias que a senhora planta.





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Quinta-feira, Maio 11, 2006


[8:09 PM]

Ainda chove de Abril...

É maio, mas ainda chovem as chuvas de Abril
E as bromélias de minha mãe não verão tua chegada
Há este pôr do sol, tantas vezes acontecido em teu nome
E este êxtase de beleza e ausência

Há essas horas lindas que você não verá
Esse adormecer pastoreando esperanças
E esta lua que insiste em desfiar seus cabelos
Nas minhas mãos despidas da tua.

Há aquele vestidinho que você prometeu
E não cumprirá.
Eterna falta e escravidão..

A moça já não dança em teus brincos
e, em teus dedos, outros anéis,
há tempos demais, anunciavam aos cegos,
o silencioso despedir de tua vinda e
a tolice dos corações...

É maio, mas chove, ainda, de Abril, no jardim
em que madrugadas se abriam em telefonemas.
E há este vazio de não se saber sem.

Há este teu jeito de se dar me negando a boca
e, desde ontem, temer meus olhos,
ficar sem jeito, crua, desfeita de ornamentos.
Há esse antigo fingir de ainda querer,
E rezas para que o rancor, ervas, não espalhe
porque tudo merecemos, dou por justo, mas não o amor,
-não um qualquer, de panos e porteiras de palha,
mas o maior de todos, dado em fios de violino e peixes-,
a amar-se em feia, por incertos gestos e pesares.

Eu sei pois sou destes tempos
Inventei tua semelhante para dançar
comigo e tudo mais.
E houve esse amor que não sabemos por inteiro
Eu lembro e alcanço.

Há, sem direito, um doer de coisas e degraus.
Desço. É tarde.
E como irá doer , ainda de Abril, nesta saudade.
E como irá chover, ainda de Abril, nesta saudade.....





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Quarta-feira, Maio 10, 2006


[7:52 AM]

Achados existenciais na novela das sete...


Não há milagre maior do que um amor perfeito...

Às vezes é impossível amar e ser feliz ao mesmo tempo...




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Terça-feira, Maio 09, 2006


[2:39 PM]

Enquanto a inspiração não vem, vamos colocando boas letras de músicas para nossa memória...

Eu te amo
Chico Buarque
Composição: Tom Jobim / Chico Buarque

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir.






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Segunda-feira, Maio 08, 2006


[12:30 AM]

Semana...

Até que enfim terminei a preparação deste módulo, do Curso de Medicina. Há maneiras mais atraentes de se gastar um fim de semana inteiro, com certeza. Desejo a vocês uma boa, boa, semana. Pordoem não haver textos que estejam valendo a visita de vocês. Nada que eu possa fazer, não há nada para ser escrito. Uma hora, quem sabe, encontro uma coisa boa sobre a qual escrever...

Cuidem-se e sejam felizes...

PS: Claudia , o pedido de casamento ainda ta de pé? uhauhauhauhua!




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Domingo, Maio 07, 2006


[1:47 AM]

Resumo da ópera

Nada que ela tenha que possa me dar, nada que eu tenha que ela possa receber...




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Terça-feira, Maio 02, 2006


[2:26 AM]


Carta para uma mulher esquiva...

Acho que tu nem lembras mais que as praças antigas de tua infância e cidade tinham bancos e confianças, os vizinhos tinham portas onde tu andavas e os vestidos tinham cheiro de interior, de menina, de enfeites. Tu podias correr com os pés descalços e usava as sandálias com a simplicidade com que os pescadores usam suas redes, mesmo sendo grande o mar. E eras feliz. Tirava fotos no sofá como se fosse uma deusa do cinema e tua nudez de criança fosse uma alegoria de tua inocência. Tu inventavas os brinquedos, inventava outra mãe e era feliz, nos braços mais simples. E aprendia as lições. Acho que tu nem lembras mais daquela menina que te sonhou, tecida de grandeza e doação, embora teu coração tenha a natureza daquela terra, o minério na alma, e guarde todos os sonhos de amor de quem cresce.
Acho que tu nem lembras mais que cresceu tão linda. Não na boca que ri, feito fogos de artifício abrindo o céu, nem nos cabelos vestindo em teu dorso todas as perdições de homem, ou na dança de encantada de tuas pernas. Nem na magia de tua mão farta a eregir a via láctea, o trigo de tua colheita de mulher, mas na ambição de amor infinito que é o vestidinho interior de tuas ilusões. E tu eras feliz. Acho que tu nem te lembras mais da delicadeza de tuas ruas antigas.

Mas, tu mudou de moradia e de ambições também. E o corpo escreve, a ferro, fogo e devoção, tuas escolhas. Sem a simplicidade das sandálias de tua aldeia, sem as redes do pescador, para tanto mar. Mas era o mar. Ou tua idéia do mar. A promessa do mar. A travessia do mar. O canto do mar. E a nudez tua, agora, não é mais um enfeite de menina. É teu feitiço. Tua canoa de comunhão. De ensinamentos e descobertas. E tu se atirou, como quem tece uma lenda, e te fizestes feliz.
Eu sei, nas entrelinhas de tuas dores e risos, inevitáveis, que tu aprendeu a lutar, feito uma imortal, por amor. Este que te devora e que tu espera a cada dia, que retorne, feito as mulheres no cais esperam, angustiadas, seus pescadores. E que, com um aceno, resgate teus incêndios e regenere tua pele. Pois esta é a felicidade que tu aprendeu. A que te cria. Aquela onde está inscrita todas as opções. Tua armadilha. Tua última lição. E tu queres ser grande nela. Ainda que não seja toda.

Acho que nem te lembras mais que andavas tão esquecida de tua fartura, que ficou surpresa quando te disse que a tinha. Como uma senha, pro nosso dia começar : " alguém já disse que você é linda hoje? Não? Você é linda, hoje" ? Como quem pastoreia teu rebanho de nuvens e sonhos. E andei feito menino pela delicadeza de tuas velhas ruas e te contei que o sol pendia para o teu lado, feito um desvio de quem mudou de poente, no rumo de teus passos. Te convidei pra dançar o baile dos encantados, de quem inventa mares para a própria travessia. E que ir além, já não dependia de nossa escolha.
Orei todas as promessas do teu corpo, sem perdões. E me reinventei por tuas necessidades, para, ao avesso, reinventar teus vestidos interiores. E acho que tu nem reparou nos bordados que teci em nossas costuras, pois já não aprende lições novas. . Como se você tivesse reencarnado para me encontrar e a gente pudesse se ler como uma antiga cartilha de minha e de tua aldeia. Como uma carta de amor escrita a mão, como uma esperança do imaginário, que só servia, como eu, para aquela velha menina que te sonhava. E que tinha os olhos na luz, como os girassóis, sem desenganos. Que trazia minha salvação e rezas nos dedos entrelaçados. E foi entre tua ida e vinda que uma vida inteira se gastou. Como entre tua boca e teu desejo partido.

Acho que tu nem lembras mais do cheiro daquela velha camisa que eu usava e que te abraçou naquela noite, nem do vento de bambuzal, tapete voador a nos levar além do impossível, como só os que crêem que sempre tiveram um destino único, podem voar nos braços mais simples. Tu nem lembras mais que, a ferro e fogo, eu te disse, se faz a carne dos nossos dias, a prenhez de teu ventre, as pegadas da memória, o teu desmesurado coração, no balanço de cordas, de tua infância.
E nem é tua beleza, como as bromélias que minha mãe planta no jardim, como as mais bonitas de todas , encarnadas de vermelho, à tua espera, de rival. É tua lição de homem, que eu aprendo, perdido de aprender que sou.
Mas acho que tu lembras sim que, em Abril, chove nas amendoeiras. E que eu estou em cada chuva e vou molhar seus cabelos. Mas sabes que costumas partir. E a cada dia ouço o rumor de teus passos se afastando. Os deuses, não deixam alternativas. Cedo ou tarde. Antes ou depois de mim. Ainda que nunca mais tu te leves por inteira, que te invento e o que, de ti, invento, é meu, por direito e pertencência. Apascento os demônios que me pedem tua permanência e os beijos de tua língua. E há o que, imenso, de mim, se cravou em tu. Sem aceiros. Irremovível. Onde me tatuei.
Por isto, se tu ainda não esqueceu, te lembras, no melhor de ti, de enquanto ficares, seres toda, pois sou eu que cuido e refaço a velha menina de seus enfeites ( aquela que te sonhou), que ando com tu pelos antigos becos. Lembra que minha boca ainda está molhada dos lábios teus e que creio, sem usar nenhum santo nome em vão, no teu derradeiro vestidinho de inocência e vinda, e sei que tu, salva da outra, é o território da única vastidão de amor onde poderia andar de sandálias...





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2:26 AM - post nºPostado por Insensato

Segunda-feira, Maio 01, 2006


[10:44 AM]

Entre o sim e o não

Há tanta vida entre o sim e o não.
É tão difícil entender
O que pretende o meu coração,
Em seu estranho querer.
Onde ele vai eu nem sempre vou,
Bate distante de mim.
E às vezes dói onde eu não estou,
Incompreensível assim.
Sei que lá fora agora é o mar,
Sua presença me diz.
Não é difícil imaginar,
Eu com você sou feliz.
Qualquer esquina, qualquer lugar,
Um beijo, um aperto de mão.
Meu coração sabe desejar.
Pena que seja ilusão.
Ah! Eu não quero a saudade.
Na realidade,
Eu quero é você.
Mas no amor está provado,
Não vale o ditado:
Querer é poder.
Abro os meus olhos, não vou chorar,
Quem sabe lá se você
Não pensa agora em telefonar,
Surpreendida de ver
Que o amor dá voltas de arrepiar.
Tanta surpresa e emoção,
Desejo tanto acreditar:
Eu e o meu coração

(João Donato e Abel Silva)
( Eu caço letras. Achei esta do João e Abel Silva. Simone ( argh) já gravou esta música. Alguém tem a mídia?






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10:44 AM - post nºPostado por Insensato