Um lugar de palavras no meio do nada

Terça-feira, Janeiro 31, 2006


[8:05 PM]

Delicadezas...

Nem queria escrever mas, por telefone, por mail, por escritos aqui, uma delicadeza que nem sei se mereço, me chama. Até me assusto pq há gente sofrendo, de verdade, por mim. È mais do que minha lida de homem comum pode caber. Por favor, eu peço, que não façam suas, o doer meu. Não é falsa modéstia, ou jogo dramático mas, se sou, ando sem me perceber no tamanho que vcs estão me dando.Talvez o que tenha conquistado vcs tenha sido o excesso de verdade e de doação, de amor idílico, até do que os textos, mas, se vcs os acham belos, só posso agradecer por essa, também, história de amor, anônima e terna, que cada um tem comigo.
O cuidado, o olhar o outro é que faz com que a gente se sinta realmente amado e protegido. Amar é cuidar, não diz Caetano, na sua canção brega-chic? Obrigado, obrigado é só o que sei repetir. Citando a Mera com quem tenho uma longa, longa, amizade, de escandalosa sinceridade e que sabe meus desmandos de alma e me explica até a Elise que escreveu de uma forma linda, lúcida, bela, ( e não tem coração que não se enterneça com palavras como as suas Elise), espero também me referir a cada uma que deixou msg. Devo mesmo estar precisando de um mutirão de resgate.
No post anterior eu disse que por mim fecharia o blog, _ sem ela não tem sentido- mas que o manteria por vcs. Não sei se tenho cacife pra continuar vindo aqui, ou talvez vir aqui seja a melhor maneira de expulsar a dor fantasma, pois todo excesso satura. Talvez faça outro, onde não me abrirei mais, tanto, mas não optarei pela falsidade do sentir e continuaremos juntos, nesta parceria. Do restante não tenho certezas. Cada dia é uma emoção nova, um sentir diferente. Como diz Gil, em Drão, as culpas são minhas, não dela, como disseram num mail. Ela seria louca se não se resgatasse, de vir comigo. Pode-se ter sido cruel no fazer, mas acertou-se no rumo. Um dia caminharemos pelo encantado, pelas delicadezas, com tudo guardado, em algum lugar da memória, no tamanho e na importância que a história teve, no incomparavelmente belo que fizemos ( ainda que tenha sido bem mais meu) juntos. Um conselho apenas: nunca julguemos o outro pelo texto do final, ele quase sempre fica aquém e menor do que os personagens são. Então, me tornado repetitivo, obrigado. E reafirmo que ficarei:" Meu tempo é quando"...




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Sábado, Janeiro 28, 2006


[4:55 PM]

Crônica de uma despedida anunciada

Sei que tudo que não é sólido se desmancha no ar. E fico me perguntando porque depois de viver tanto, me deixei surpreender? Porque fui erigir ilusões se sempre as soube frágeis, incapazes de resistir a uma batalha de verdade. Como fui deixar meu coração tão aberto se sempre tive menos do que o preciso, se tudo era apenas cancelas de palha e areia a reter o inexistente. Como cultivei tamanho engano dentro de meu peito? Porque sabendo da escassez e da falta de futuro doei tanto? Porque fiz todas as renúncias que nunca havia feito, mudei os hemisférios, inverti os pólos, se sabia que o mundo não ia girar a meu favor? Porque ignorei os avisos dos sinais luminosos e li certezas no etéreo, li sentimentos onde não havia mais lugar, onde nada mais cabia? Não saberia, logo eu, que as palavras são irresponsáveis? Ah, como são cruéis as enlouquecidas esperanças.
Como havia previsto, hoje, o ciclo se encerrou definitivamente. Sem meias palavras. Sem hesitações. Seco, frio e objetivamente. Rápido, preciso e mortal. Duro como são os desenlaces, as despedidas, mesmo quando anunciadas. E não pelo fim em si, mas pela forma, a gente fica se sentindo pequeno, sem dimensão, descartável. E talvez isto me faça lembrar o tamanho real do que sou. Um tabaréu do sertão criado à luz do candeeiro e ao som melancólico das rodas dos carros de boi a emitir seu cântico predestinado - adágio de minha alma-, e que já foi longe demais. Não podia cobiçar o infinito da alma de uma mulher com tão pouco a oferecer, com um amor serôdio.. Cumprirei o ciclo da penúria.
Morre aqui, também, este blog, pois esse amor precisa também fenecer, pelo menos na sua forma visível, do vento do bambuzal, da chuva nas amendoeiras, diante dos peixes e dos filhos que não virão. Não o encerro, por vocês, mas não sei quem de mim escreverá e, se escreverá. Não há mais encantos a serem contados. Perdi as palavras e tudo ficou assim meio sem razão, embora eu já duvide que ela mereça tanto mas, confesso, sem pudor, que a vida nunca me doeu tanto, por perder algo.
Ficará a lenda da moça do lado do pôr do sol e, as lendas, se por um lado são imortais e vagam de boca em boca, ao longo dos tempos, imemorialmente, por outro acabam por restar em nosso imaginário apenas como lendas...

Abandono-Camille Claudel




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Quinta-feira, Janeiro 26, 2006


[11:56 PM]

Aos visitantes

Queria pedir perdão por não encontrar dentro de mim o canto de poeta, a breve e totalmente enlouquecida esperança que me encarcerou por este infinito e, no entanto, fugaz, tempo. Alguns se manifestam e outros me lêem silenciosamente, como cúmplices, da história que narrei, -meu oficio de comungar-, com as palavras mais encantadas que já me habitaram. E que nem sei de onde resgatei.
Dia após dia também abro o blog e espero que me reaconteça aquele milagre cotidiano que fazia leite e mel, o hiato entre a escassez passada e vindoura, que se se tornou minha permuta de vida com os céus. E, dia após dia, lhes ofereço apenas nada. Minha paga por vossas visitas era meu peito aberto em amor e ilusões, meu jeito desmedido de me perder e abandonar naquele mar banhado em leite dos olhos da moça do lado do pôr do sol. Mas sei que não havia forças para vencer o mundo real e o minguante foi me tomando, feito lua em reverso, feito cio desfeito. E fiquei com o bastante, mas não o suficiente. Satisfeito, não saciado.
Ainda que estranho sinto-me como se vocês, tão carinhosos, fossem minha Àgora, esperando, no cenário sem enfeites, pela minha dança, logo minha, que não sei dançar com o mundo como dama de companhia e me embaraço nas minhas pernas desajeitadas. Mas, não temam por mim, nem usem vosso santo nome em vão. Cumpro o ciclo. Ate o derradeiro. O da penúria.
Sei que, às vezes, vocês vêm aqui, como quem vai a padaria, comprar o pão do dia, quente, ameno, nutritivo, confortável, e sonham ainda escutar um vento antigo no campo de trigo, como se fossem os cabelos soltos sobre o dorso da amada. E, eu, raso, não tenho conseguido saciar vossas expectativas.
Este texto, também é nada, mas assim lhes peço desculpas por coisa alguma poder lhes dar, nestes dias, de belo e imaginário, mas sinto-me menos culpado se lhes aviso desta condição. E, se tiverem paciência, prometo que ainda hei de voltar ao nosso pão de cada dia...





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[11:19 AM]

Nada.
(Se ficar assim por mais 50 anos eu vou começar a me preocupar... Havendo uma história, há textos. Sem história, sem textos).




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Quarta-feira, Janeiro 25, 2006


[8:30 AM]

Nada...




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Terça-feira, Janeiro 24, 2006


[9:08 AM]

Nada. ( Aceito sugestões de salvação...)




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Segunda-feira, Janeiro 23, 2006


[9:53 AM]



Nada...




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Sexta-feira, Janeiro 20, 2006


[1:02 PM]

Nada. Não há nada a dizer. Não foi uma boa semana. Não tenho nada a dizer que já não tenha dito, sem cumprir, nenhuma certeza que já não tenha descoberto, sem obedecer. Nada. Nada. Nada. È preciso começar outros planos. Ou inventar outro texto. Se conseguir eu posto. Se não, lhes falto. Bom fds a todos. Desculpem a escassez.




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Segunda-feira, Janeiro 16, 2006


[5:53 PM]

O acaso

"O acaso tem suas mágicas. Para que um amor seja inesquecivel é preciso que os acasos se juntem desde o primeiro instante".
milan kundera




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Sexta-feira, Janeiro 13, 2006


[5:13 PM]


Aqui, onde a distância comunga silêncios, onde os cenários comungam vontades e o amanhã comunga enigmas, a alma não blasfema mais contra os deuses. Há sempre um outro lado a justificar os atos dos deuses do amor. Eu fico apenas rasura enquanto o milagre da saudade tem o ritmo de tua respiração quando adormeço. A geografia, exceto a de teu corpo, é uma ilusão. Os amores não calam por imposicões, nem mandados. Há, não importa a forma, nem os instantes, sempre algo para o qual a vida não nos permite escolhas. Não há redenções apartadas do destino de nossas mãos. E quanto mais distâncias se traçam maior ele fica...




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Segunda-feira, Janeiro 09, 2006


[6:16 PM]

Imensidão

Deve haver justiça nas ações dos deuses. Deve haver uma razão, ainda que as vezes desejemos que os deuses emudeçam. Ou então que nos expliquem porque dão a mulher ideal, tempo, dinheiro, emoções inaugurais, devoção de amor, a alguém e a outro o tempo do avesso. Porque, feito castigo, nos negam os olhos de quem gostariamos de mostrar o mundo, de contar sua história, de repartir o tudo que há para ver. E nos dão memória e continuidade, silêncios e disfarces. Porque não a loucura dos que nada têm, dos loucos, dos insensatos? Porque não semeiam eternidades entre os que amam? Porque me dão esta saudade infinita dela, que ergue templos, que semeia tempestades, em tudo que eu não posso lhe mostrar? Tomara que haja a secreta sabedoria dos deuses. E que eu nunca pragueje contra os deuses do amor. E que você nunca se desperdice, nem permita que seu mundo seja apenas do tamanho que você já alcançou...




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Terça-feira, Janeiro 03, 2006


[3:38 AM]

Quando ela diz te amo

A vida sempre tem motivos para o seu começo. Mas, como é breve e não há provas de sua reedição, convém evitar desperdícios. O que seria fácil se soubéssemos exatamente onde fica o marco zero. O cais do gênesis. Os ensaios de amor, a cantada original ou pelo menos a previsão de quando irá chover nas amendoeiras com a mulher certa.
Sim, com a mulher de sua vida. Deixemos de fingimentos, ou de nos orgulhamos de quantos brinquedos de adultos podemos comprar, pois nada disso nos fará invencível, capaz de matar dragões, dançar a valsa vienense, ouvir milhares de vezes a mesma canção no cd do carro, comer tomate com orégano ou estourar a conta de telefone só para ouvir uma madrugada ela dizer que está pensando em você mais do que a lei e as normas de boa conduta recomendam. Ela é o que interessa. O resto, seja versos no jornal, a presidência da empresa, ou o carro do século, são sós os disfarces, nossa dança de acasalamento, baile nupcial, nosso rugido mais alto para chamar sua atenção, visto que ficar nu além de ser atentado ao pudor, pode causar decepções abdominais no mercado especulativo e sarado das conquistas.
Assim como o César, não eu que mal vivo de não embaraçar minha perna na outra quando danço, que corro risco de me afogar até em pote de mágoa, e nem aprendo a placa do carro e morro de vergonha no estacionamento, mas do outro, romano, que foi, viu e venceu, aprendemos que, o vir, ver e vencer, é conquistar de forma irreversível e sem insurreição, o amor de uma mulher. É tornar-se a razão do seu choro quando viajar e de outro, ainda maior, ao retornar, são e salvo, de um dia na roça. Ou ela ser tomada por uma semana de tristeza incurável só por imaginar que poderíamos morrer antes dela, com este jeito devoto que só as mulheres sabem ter e que funciona como nosso programa de milhagem existencial, uma apólice que nenhuma outra emoção pode cobrir. E quanto nos fragilizamos como meninos e nos fortalecemos feito heróis quando ela murmura que a deixamos louca e que somos sim, muito, muito bons, como se tivéssemos sido aceitos como Cavaleiros da Távola Redonda. Ah, nós homens, pobres homens.
Mas, para a plenitude, ela exige sabedoria e doação, por isso é necessário que não venha tão cedo que ainda não saibamos as renúncias da cumplicidade nem tão tarde que os desenganos já tenham deletado nossas utopias. Porque se a perdemos é como um gineceu cinzento que nunca se desfaz em primavera. Perdê-la é não poder imaginar o sol abrindo a janela e acordando nossos olhos em comuns, a pertencência, a casa com os quadros e fotos na parede e as histórias no tapete, a mesa do jantar como a velha fogueira aonde se reuniam os antepassados, o parto e os filhos alinhavando a memória e os objetivos comuns, os abraços como os anéis de Saturno, o amor com perdão, o riso como a senha para devorar a esfinge do cotidiano.
Porque há um alumbramento em toda terra, um desvio inexplicado de seu eixo, um destino que se remodela na oficina das divindades, ou diante dos peixes, o fio que as deusas que tecem a vida se retardam em cortar, um dialeto que se funda para o casal, uma aliança, um anel de esperanças e fogo, tatuando a posse. Porque há uma repentina onda de fertilidade e todos os úteros se tornam qualquer coisa de grávidos e meu tempo de esperar se faz tua colheita. Porque há algo que, de repente, me fecunda e cura meu país quando ela diz te amo. Só quando ela diz te amo.

PS: estarei de férias por 15 dias a partir de hoje. Que todos tenham um bom Ano de 2006 e que possamos continuar juntos em breve. Irei com saudade do olhar de voces todos.






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