Um lugar de palavras no meio do nada

Quinta-feira, Junho 30, 2005


[8:06 PM]

Nectar

Em verdade, ontem me diz, que a felicidade é mesmo uma festa de espuma...




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Terça-feira, Junho 28, 2005


[2:25 PM]

Inaugural

Não é sobre tua face, explicação de todos os olhares, nem sobre tua beleza , tão absoluta, escultura do vento de todos os meus sonhos, nem sobre a cordilheira de teus seios a se erigir no calor de minha boca, nem no lastro de tua pele, pêssego de nuvem, intocável e irrepetível, nem sobre a vida que dança exuberante e farta dentro de teu mundo, num ritual de devoção e domínio, nem sobre teu corpo em movimento, quando te moves, como oferenda e céu a determinar meu eixo e rotação, nem sobre as palavras de partida - dor incurável-, nem de retorno - arca de resgate e salvação-, que construo o amor definitivo. É antes, das emoções inaugurais que você me concede, das motivações que resgata do teu baú de segredos para fazer o meu dia tecido e impressão de suas formas, da tua barriga prenhe de teu homem, de guardar, feito festa e delírio, um olhar de remanso e magia das coisas simples: a bola de gude, a esteira, a praça, a cancela. Do sol que habita, também ele enfeitiçado e perdido de amor e encanto, a moça do seu lado. E de tuas doações. Desta tua forma de se doar, devota, sem reservas e moldes, de sagrar-se senhora, sacerdotisa, reino e percurso, ao homem de teu coração. E, eu, que ainda não as tive, que somente as tateio com as pontas dos dedos, que apenas permeio tuas margens, alicio meu destino, à ternura do cruzar de nossos dedos, à simples chance de dançar, imóvel, nas ruas, de mãos dadas... ao eterno retorno de tua saudade...





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Sexta-feira, Junho 24, 2005


[4:40 PM]

Este texto, que vai abaixo, é de Fátima, do www.quartocombau.zip.net . O texto é lindo, emotivo. Fátima é uma alma extraordinária, grande amiga, e uma das minhas memórias mais antigas e carinhosas. O texto tem muitas coisas que penso das possibilidades de transformação de um grande amor em realidade.


Juntos nos sentamos numa sala de aula e você era um gesto que afastava a cortina de cabelo dos olhos
E eu era um vestido cor de rosa que revelava mamilos também cor de rosa.
Juntos fomos ao cinema e choramos. E você, hesitante, já no final do filme, segurou minha mão.
Juntos fugimos para praias distantes. E andamos clandestinos pela areia.
Num dia de São João, na roça, banhados de chuva, dissemos "Sim" um ao outro.
Juntos compartilhamos olhares, beijos, abraços, segredos, Pedaços de silêncio, histórias inteiras,
Pedaços de história, silêncios inteiros e saquinhos de pipoca.
Juntos engravidamos, parimos e amamentamos nossos filhos (Você esteve sempre tão perto que nunca me senti só)
E, quando eles adoeceram, juntos velamos, noite adentro o soninho inquieto deles.
E, quando sararam, juntos respiramos cansados e aliviados.
Juntos já tivemos ataques de riso descontrolado e incontrolável.
Juntos já escalamos, num dia geladíssimo, uma alta montanha enlameada.
Juntos já sonhamos tantas coisas, já planejamos e realizamos muito.
Já inventamos coreografias malucas e nos divertimos com a nossa dança.
Já fomos " e iremos " atrás do trio elétrico.
Juntos descobrimos o corpo, o gosto e os pequenos detalhes um do outro
(E ainda há tanto mistério mais!)
Juntos aprendemos a acolher amorosamente nossas diferenças.
Descobrimos que cada um tem seus segredos e seu caminho único, e os respeitamos.
Juntos construímos uma família gostosa de conviver e pertencer.
Juntos já adotamos jabutis, periquitos, cachorro e gatos.
Vivemos a inusitada situação de ajudar o veterinário a vermifugar nossos cinco jabutis. Lembra?
Juntos caminhamos pelo parque e sempre atravessamos a rua de mãos dadas.
Juntos já fizemos fotos eróticas num quarto de hotel em Paris e planejamos gastar os últimos créditos do cartão telefônico internacional passando trote para alguém em Portugal ou na Suíça e rimos da nossa própria maluquice.
Juntos já saímos à noite para procurar uma sopa quentinha em Barcelona
Comemos gulosamente croissants nas panaderias de Madri
E você não saiu correndo, como teve vontade, quando entrei de roupa e tudo
Numa praia fluvial, cheia de gente, na Galícia.
Juntos já nos dissemos e nos fizemos coisas muito dolorosas
E aprendemos a cuidar e proteger a sensibilidade e a fragilidade um do outro.
Aprendemos também que o amor não é cego, é generoso
E o "para sempre" não é tempo bastante para o nosso desejo de estarmos
JUNTOS!

(Esse texto nasceu para comemorar os 21 anos do meu casamento com Luiz)





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Quinta-feira, Junho 23, 2005


[10:13 AM]

Poema que eu acho fantástico da Nalu Nogueira : www.nalu_nogueira.weblogger.terra.com.br, enquanto eu mesmo não venho.


PARTILHA

Fica com a cama.
Nela estão todos os meus perfumes e também os meus melhores sorrisos.
(sob o travesseiro do lado direito talvez ainda o som daquela gargalhada).
Fica com os lençóis das nossas madrugadas os cartões de crédito e todos
os poemas. O cobertor azul eu deixo porque ainda é inverno
(e eu estava acostumada a te aquecer).

As fotos também eu cedo, não as quero.
Não refletem os medos que tive, são apenas momentos
(congelados feito os projetos que adiamos)
As chaves do apartamento deixo sob o tapete.
O amor e os sonhos eu levo junto com o meu olhar encantado.

A dor está na caixa pesada que ficou no banheiro.
Não se preocupe, é minha prometo vir buscar no feriado (eu levaria hoje,
se pudesse mas no carro não cabia o mundo inteiro).






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Quarta-feira, Junho 22, 2005


[3:26 AM]

"Os deuses quando querem nos castigar atendem os nossos desejos". Oscar Wilde



Aos deuses: eu sempre pago, caro, por meus excessos mas, nem no maior de todos, morrerei. Queiram voces ou não. E não quebrarei, definitivamente, minhas regras outra vez. E voltarei a vida, do ponto onde renunciei, a todas as coisas, sem sentidos e inúteis, que recusei, só para negar registros de pertencência. Hoje, amanhã não sei.





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Terça-feira, Junho 21, 2005


[9:03 AM]

Tanto mar, tanto mar...


As palavras e os domínios sempre foram meus. Sempre foram a febre de arder a noite inteira, a fome de satisfazer sem saciar, a insanidade de desejar o inacessível, o óleo fervente que derramei para meus passos. A hélice dos sentidos a girar feito louca e aquarela no meu riso.Venho de muito longe, de outra eternidade, de uma outra existência, e até aqui lutei contra meus moinhos de vento como um quixote tabaréu e sertanejo. Desta ousadia de pretender ser mais do que sou trago o dessassossego dos andarilhos, as culpas das lutas vãs e dos feridos na batalha. Aprendi a lavoura interminável de cultivar uma dor. Mudei os rumos, falseei as rotas, apaguei as pegadas. Deixei que batesse em mim a vastidão dos pedidos e trapaceei com as armadilhas dos deuses travessos. Pretendi, dono das tolas utopias, cruzar o mundo dos deuses e as distâncias entre os intermináveis, andando no carro de boi de minha infância, sem atentar que o mundo e os lugares intermináveis são longes demais, para tão pequeno barco. Eu que andei e andei e me procurei no mar de Veneza, na casa velha da fazenda ou numa praça de Miguel Calmon aonde fui, de projeto Rondon, sem nem saber porque. Eu que pensei que o por do sol tinha aquela cor porque meus olhos tinham aquela cor, que a lua era azul e São Jorge golpeava os dragões porque era meu escudeiro e o que o sal do mar- tanto mar, tanto mar, tanto sal, tanto sal-, eram apenas o propósito de minha sede. Logo eu, criado na terra, que aprendi a correr entre roças de capim e pés de velame e acendi fogueiras nos dias santos de São João, que sempre achei que a rota das estrelas era apenas o colar de minhas ilusões, logo eu, que não sei alquimia, não sou aprendiz de feiticeiro, nem sei dançar as danças de acasalamento, querer lutar Cruzadas no coração do mundo grande. Eu que me curei das minhas sete mortes diversas com chás caseiros, não procurar as cartomantes, não jogar búzios, nem temer o treze, não saber que de uma outra encarnação, um dia, reencontraria o que perdi. Mesmo depois de um tempo longo demais. Eu que sempre andei atento, ficar distraído com as alegorias e o milagre da perfeição nos mínimos detalhes e esquecer que nada é em vão. E que tudo: a chuva, as amendoeiras quando crescem, os acasos quando se cruzam, o bambuzal quando se dobra, são apenas uma conjuração do destino.
Sim, também já chorei escondido, mordi seios descobertos, gozei o gozo das divindades e santos e já pelejei as pelejas necessárias e possíveis. Já perdi, apanhei, já adormeci no adro da igreja e senti frio por tempo demais. Já provei do meu próprio veneno e morri. Uma daquelas vezes. E insisti. Mas, agora, acontece, que eu descobri, que o sol não tem essa cor porque meus olhos têm essa cor, nem os dragões morrem na espada para me salvar, e o mar- tanto mar, tanto mar, tanto sal, tanto sal-, é apenas teu tanto em mim, depois que você se foi. E não cabe no peito...





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Segunda-feira, Junho 20, 2005


[6:26 PM]

R2D2

O autor deste blog está avariado, motivo pelo qual será recolhido, hoje, para manutenção...




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Domingo, Junho 19, 2005


[10:58 PM]

Uma noite, às vezes, é tão longa, quanto uma vida inteira. Para o bem e o mal...




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[12:07 PM]

Cheiro de Amor (Paulo Sérgio Valle/ Jota Moraes/Ribeiro/ Duda Mendonça)

De repente fico rindo à toa sem saber por quê
E vem a vontade de sonhar de novo te encontrar
Foi tudo tão de repente, eu não consigo esquecer
E confesso tive medo, quase disse não

Mas o seu jeito de me olhar, a fala mansa meio rouca
Foi me deixando quase louca já não podia mais pensar
Eu me dei toda para você

De repente fico rindo à toa sem saber por quê
E vem a vontade de sonhar de novo te encontrar
Foi tudo tão de repente, eu não consigo esquecer
E confesso tive medo, quase disse não

E meio louca de prazer lembro teu corpo no espelho
E vem o cheiro de amor, eu te sinto tão presente
Volte logo, meu amor...





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Sábado, Junho 18, 2005


[10:11 AM]

Mistérios ...

Que distância ocupa o espaço entre as palavras e o coração de uma mulher?
Quanto dos domínios ela cede ao fim do dia?
E quanto de saudade e falta tem nos movimentos dela?





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Sexta-feira, Junho 17, 2005


[12:02 AM]

Antiga lembrança...

O céu parecia lavado de chuva e as nuvens secavam, estendidas, num varal de fantasia. Os animais pequenos faziam seu canto depois da festa d'aguas. Algumas gotas ainda se retardavam sobre as folhas, indecisas de caírem. Os passáros na arquibancada de fios, descansavam dos vôos desnecessários. E ventava no bambuzal... E o ar, de banho tomado, enxugava-se aos poucos. guardando, ainda, algum sereno e nos tocando como quem se reconhece pela primeira vez, em uma entrega. De olhos fechados, ouvimos os mesmos sons, de uma mesma memória, antiga, gêmea de amores, que se encontra depois de tantas esperas. Pisamos no chão, forrado de infâncias, como quem, ao fim de um dia, retorna para casa, refeito em paz, por uma velha, conhecida e amena estrada de terra. Pendurados na cancela, à beira do curral, sabemos estar vindo uma saudade de tudo, do instante que acabou de se fazer exato, eterno, de todas as coisas, como uma lição de inesquecíveis permanências...Tu me conta de teus antigos medos e, sem intenção, a vida me dói ligeiramente... As mãos se enlaçam e teu corpo se protege no meu, do frio. Minha vida te enlaça e me protejo do vazio na tua alegria, na festa de tua existência. As folhas do capim são todas perguntas. O amor é cercado de armadilhas e ameaças mas, hoje, agora, é fim de tarde e nossos olhos só alcançam os verdes. Uma árvore nos espera, do outro lado do mundo, aonde ainda iremos e dormiremos nús sob sua sombra e lua. Venta no bambuzal... Não temos as respostas...mas sabemos ser nossa a canção de amor do vento no bambuzal... E, na alquimia de tua perfeição e milagre, teu coração se aperta dentro do meu e é só o que, no universo inteiro, nos importa...






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Segunda-feira, Junho 13, 2005


[6:43 PM]

Mutação...

Somos imutavéis? Como dinossauros estamos condenados a desaparecer acossados por nossos próprios demônios e erros? E só porque as palavras despetalaram a alma de alguma mulher um homem está destinado a ser sempre olhado com os olhos do receio? Podemos mudar. Aprender novas ilusões. O tempo pode trazer transformações ou somos irreversivelmente condenados a cumprir nosso destino? Há que habitar, para sempre, sobre nossa cabeça, a lâmina crua da descrença? Ou podemos, sem negar os erros, sem fugir dos acontecidos, aprender com o amor verdadeiro? É preciso ter consciência da delicadeza e violência da presença de um sentimento que se faz o maior de todos. E, talvez, por uma única vez, seja possível acreditar que quem se deixa ficar tão sem defesas, sem arreios, nas terras do outro , é porque pode, finalmente, encontrar a razão para permanecer sempre na sua escolha...




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Sexta-feira, Junho 10, 2005


[8:58 AM]

Ele disse àquela que lhe roubava o tempo...

...e, em nenhum lugar do mundo, em tempo algum, você poderá ser, para ninguém, o que você é, hoje, aos meus olhos...


. ..e não se sabe quanto ela decidiu ser...




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Quarta-feira, Junho 08, 2005


[10:21 AM]

Razões ou algum lirismo...


Nem é o que o teu corpo causa no meu, nem o excesso de tua beleza, pétala nua, que desconcerta certezas de anos, nem o mistério de tua rendição quando diz no meu ouvido: "eu não agüento", que te faz necessária ou irrepetível. É, antes, o jeito como rimos das coisas banais, tua e minha compreensão, e a forma como você faz com que meu olhar enxergue alegorias onde havia apenas bolhas de sabão, que tome a chuva como leite de esperanças onde antes era apenas frio. É deste teu jeito de ficar por perto e me dizer palavras aqui e ali que refazem as partes de meu universo tão dilacerado. Da forma como tu renova minha fé na vida, nas coisas do amor, e me faz cruzar os rios sem olhar o fundo, sabedor de tua presença ao meu redor. È por ser bom e terna a extensão dos teus braços dispostos a acolher minhas limitações e por tornar império meus dias. È por teus olhos de ler, encantada e dona, meu oficio de palavras e sentimentos. E por nunca ter deixado roubarem tua alma de sol, por habitar feito acorde de violino a razão das letras, da poesia e das melodias. O que te faz imprescindível não é o baile imaginário de teu corpo exato, mas a forma única, delicada, enlaçada de amores, com a qual tu fazes com que tua alma dance com a minha e tua vida mimetize as lonjuras antigas de meus sonhos...





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Segunda-feira, Junho 06, 2005


[12:38 AM]


Um longo post noite adentro

Tem dias que temo meu coração. E não creio no seu tempo. Tirando do embornal de acontecidos esta angústia, aflição, este espanto de ausências e faltas. E uma saudade súbita, lírica e tão inadequada aos dias atuais, insistente, o fermento dos inesperados tornando a vida exuberante e farta e, no entanto, limitada.
Falta das palavras que não ouço, dos amigos que não vejo e dos que não poderei fazer, das revoluções que nunca conduzirei. Uma incompletude dos abraços que jamais darei e dos que perdi entre os desalinhos da algibeira. É este veio aberto que me toma às vezes, de repente, este desespero de vida e morte, que me rodeia. Esta foz de sentimentos, de tanto por fazer e tão pouco tempo. O tanto que a boca da mulher amada é espera de beijos e dos quais me ocultarei.
A irrealidade preenche meu dias. E esta mudez, não de quem não tem voz, mas a de quem não sabe onde dizê-las. Não a solidão dos sozinhos, não a solidão dos que andam nos rebanhos avessos, mas a dos estrangeiros na própria vida. Sim, eu sou um imigrante de minha próprias horas. Porque o que carrego não pode ser dito às escancaras, nem gritado na boca das mulheres pagas, nos cafés da rua, nos amigos tecidos de vida normal. É palavra de febre só para os que ousam o vôo dos desmedidos, para quem já tenha sentido o peito explodir numa lua distante e teve uma repentina vontade de ouvir o vento varrendo o bambuzal. De quem já cometeu erros e sabe que a vida é puro improviso, uma dança louca sobre o nosso cadáver insepulto.
Ah Deus, porque esta vida, esta vida, esta vida, que grita tanto me dizendo que tudo não é bastante. Porque esta noite me revira, esta falta de quem sequer conheço, de quem ainda é apenas futuro e memória. E eu que não caibo mais dentro do meu traçado, a dizer sempre menos e de forma imprópria o que é meu sentido. Eu que não sei de que é composto: benzenos, encantos, raivas, impossibilidades, cicutas, hóstias, absinto, este fogo líquido do meu sangue.
O ar é rarefeito, estrelas confessam tremer ao frio, erosões de vontades atravessam as armadilhas dos tempos, as horas estão expostas em carne viva e eu posso apenas doer. E nunca saberei se alguém compreenderá a mensagem nas garrafas atiradas ao acaso, no mar desta noite interminável...





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Sábado, Junho 04, 2005


[9:58 PM]

Descobertas

Há muitos, muitos anos, não era lembrado que o importante é competir e, por vezes, o melhor prêmio é perder...




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Sexta-feira, Junho 03, 2005


[8:39 AM]

A conspiração dos deuses

Tê-la, era como tocar a delicadeza dos céus. Ou, por fim, entender, porque germinam as sementes e a razão de todas coisas: os meridianos, o teorema de Fermat, o dedal e a luz dos candeeiros. Talvez, como diz a canção, fosse impossível ele não se apaixonar por ela, e aquele choro, nos seus olhos de mar indefeso, fosse apenas a última roupa, antes dela fazer-se irrepetivelmente nua. E ele perguntou-se porque os donos dos milagres lhe ofertavam o leite e o mel da terra, porque logo a ele que trazia as mãos calejadas e os avessos de febres. Ele que conhecia as armadilhas, as trapaças do destino, o jogo das circunstâncias, surpreendido pela redenção da fêmea e suas extensões milenares. Como se ela fosse uma conspiração dos deuses, disposto a salvá-lo da morte das palavras, do desengano do belo, das buscas insatisfatórias. Como se sua pele tivesse sido lavada por água sagrada e todos os artesãos divinos tivessem se juntado para lhe dar forma e voz e um jeito de rir, forte e protetor, caderno de escritos e de ambições. E quando ela deixou os braços sobre a cabeça, como o chamado de uma prece silenciosa, e ele foi, soube então, que a linha do destino e o fio da vida, estavam, novamente, sendo traçados...





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Quinta-feira, Junho 02, 2005


[9:00 PM]

Sob a chuva...

Dizer o que? O indescritivel não cabe no arreio das palavras...




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