Não vasculhei a Via Láctea à procura das criações de suas divindades. Nem fiz escolhas. Não orei aos deuses, por suas ofertas. Nem escolhi, propositalmente, o caminho dos vendavais. Não busquei, entretanto, explicações. Nem ouso conjugar renúncias. Temo minha ira. Sei apenas que cumpro as não razões e deixo rebentar em mim a força dos teus pedidos. Sei, ou imagino saber, que sua alma dança um baile imaginário nos limites de sua saia. E, acreditem, não importa o que diziam os antigos navegadores. O mundo não existe muito além daí...
Não é com a renúncia das bocas que alcançaremos a benção dos deuses, nem com a negação dos escritos, ou conjugando a violência de não atender aos chamados. Precisamos lembrar que as amendoeiras não floresceram uma eternidade de esperas, em vão. Devemos aprender a tocar o inacessível, redimindo os corpos, queimando nos incêndios, ardendo nas febres, sem antídoto e reconhecer a pele única, a gargalhada da alma, os leitos dos olhos onde adormecemos com os seios rígidos de sonhos. As mãos que desenham geografias apenas imaginárias, como um compasso se curvando diante dos relevos dos céus que te formam. E um Deus travesso que sorri, feliz, esperando apenas que seus donos reconheçam o milagre do encontro...
Não vasculhei a via láctea à procura das criações de suas divindades. Nem fiz escolhas. Não orei aos deuses, por suas ofertas. Nem escolhi, propositalmente, o caminho dos vendavais. Não busquei, entretanto, explicações. Nem ouso conjugar renúncias. Temo minha ira. Sei apenas que cumpro as não razões e deixo rebentar em mim a força dos teus pedidos. Sei, ou imagino saber, que sua alma dança um baile imaginário nos limites de sua saia. E, acreditem, não importa o que diziam os antigos navegadores. O mundo não existe muito além daí...
A Micareta, o carnaval fora de época, nasceu aqui, em Feira de Santana e espalhou-se pelo mundo.O movimento do axé-music, (para o bem e para o mal) nasceu com um feirense( Luiz Caldas) e deu, 20 anos depois, no que é hoje, indo de Psirico, Ivete, Daniela a Araketu. A Micareta começou quinta e acabou ontem. Hoje, a vida, da cidade e a minha, voltou ao anormal...
Trago as mãos úmidas de teus desejos e domínios. Como os cegos, os que andejam na escuridão, os excluídos das sementes, tateio as formas e suas respostas. O fogo se farta da lenha seca dos silêncios. Toco o abismo. E me reencontro na morada definitiva.
Como a maioria que vem aqui não frequentava o Aldeia Nua, repito o poema
Inventário
Das minhas dores mais longas,
desbagoarei os gomos,
pra atender à fome dos cães.
Meu olhar sem escamas,
e a senha de teu corpo,
pode levar ou esquecer:
não me cabe guardar inocências.
As fraquezas, inclusive
meu choro de homem
e aquela noite, era outubro,
serão minhas, no inventário.
As demais miúdezas: os lençóis,
os projetos inacabados, os risos,
guardemos, nos inutéis da memória.